
Seguindo toda aquela tradição de troca de números no calendário, todos fazem uma retrospectiva do ano que passou ou uma previsão do que será 2010.
Em nenhuma das previsões de todos os cronistas esportivos que li pude concluir, com certeza, quem será o campeão da Libertadores do Centenário, ou melhor, da América, ou o vencedor da Copa do Mundo. Portanto, quem sou eu para me atrever a palpitar resultados.
Além disso, achamos que retrospectivas já são muitas e previsão é coisa de guru.
Por isso, melhor atentar para o que vai acontecer de fato no ano que seguirá.
Certo mesmo é que 2010 nos deixará mais perto dos grandes craques.
Primeiro por causa da Copa do Mundo.
E antes que o corneta diga, a África do Sul não é logo ali, refiro-me que a proximidade se dá com o clima criado em torno do Mundial, nos trazendo mais notícias, jogos, entrevistas e tudo mais sobre os caras que acompanhamos somente nas transmissões dos campeonatos inglês, espanhol, italiano nas temporadas regulares.
Aliás, em época de Copa do Mundo é possível assistir Inglaterra e Argentina perto de um monte de gente que só conhece o Beckham e o Maradona.
E aí não há como não se sentir mais, digamos, íntimos.
E além da Copa do Mundo botar na nossa sala (de casa ou do trabalho) vários craques reunidos, os clubes brasileiros também tem feito a sua parte para gerar essa aproximação com os astros da gorducha.
E aqui, sim, nos referimos também à questão geográfica.
Como se iniciou em 2009, grandes jogadores continuam retornando de sua peregrinação pelo mundo para defender clubes do Brasil. Alguns craques que não desabrocharam, outros que não gostaram da comida, outros que passaram frio e alguns de glorioso currículo, mas com as travas da certidão de nascimento um tanto gastas.
Entre os últimos e mais importantes, para ficar só nos de currículo mais seleto, Ronaldo talvez seja a prova cabal de que essa fórmula pode dar certo. Adriano no Flamengo também.
Poderíamos também incluir Petkovic, mas ele sequer esteve na Europa nos últimos tempos.
Nesse caso, é mais uma prova conclusiva da carência de bons de bola no país do futebol e a confirmação do alto nível de "craqueza" de Pet.
De qualquer forma, nessa segunda-feira Roberto Carlos se apresentou ao Corinthians. Mais um estelar que já rodou por várias constelações e agora volta às origens. Origens não tão originais, já que o jogador foi via Palmeiras e é torcedor do Santos.
Mas para restringir apenas à parte técnica, Roberto Carlos não tem na bola o que o cantor homônimo tem na música, mas é inegável seu vasto repertório. Em outras palavras, não é um Ronaldo, mas perto de todos os laterais que jogam por aqui sobra só usando o gogó (o melhor talvez seja Gilberto que está jogando na meia).
Também é fato: assim como a idade faz o Rei desabar o seu nível e cantar com uma trupe de gente chata em cada "novo" especial, também tira do lateral esquerdo a velocidade e uma parte do vigor que tanto lhe foi útil.
Enfim, mesmo com tantas ressalvas, o caso de Roberto Carlos, o jogador, serve para ilustrar que só pela audiência (foram seis mil corinthianos recebê-lo numa segunda-feira) uma investida como essa já pode valer a pena para o espetáculo.
Entre os que dão certo ou não, sejam velhos ou não, renegados ou não, sempre sobra uma única certeza.
É muito mais divertido para o torcedor acompanhar os campeonatos nacionais com nomes importantes nas escalações dos times.
O raciocínio também vale para Giovani no Santos e outros tantos.
Se der para jogar o fino melhor ainda.
Até porque a lista de desconhecidos que não sabe chutar uma bola já é imensa.